Momentos Especiais

4×100 m livre: a medalha que faltava

A medalha do revezamento 4×100 m livre ganha pelo Brasil no XVII Mundial de Desportos Aquáticos, realizado em Budapeste, Hungria, no mês de julho de 2017 (em 23/7/2017), era mesmo a que faltava na carreira de Cesar Cielo. O campeão olímpico nos 50 m livre e ainda dono de mais duas medalhas olímpicas tem nada menos do que seis ouros ganhos em Mundiais, em piscina olímpica, todos eles conquistados em provas individuais.

“A melhor medalha é a medalha de revezamento. Como é bom ganhar com os amigos! Obrigado @gabrielssantos1 @mchierighini @brunofratus. É uma honra representar o Brasil com vocês! #selecaobrasileira #4x100livre #natacao #swimming“, publicou Cesar Cielo nas redes sociais, após a importante conquista da seleção brasileira. Foi um Mundial positivo para o nadador. Cielo ainda foi à final dos 50 m livre – ficou em oitavo lugar do mundo – com apenas seis meses de preparação.

O Brasil mostrou a força dos seus velocistas ao disputar a medalha de ouro, braçada a braçada com os Estados Unidos, com Gabriel Santos, Marcelo Chierighini, Cesar Cielo e Bruno Fratus, na ordem em que nadaram na prova. O Brasil ficou com a medalha de prata com 3min10s34, diferença pequena para os campeões norte-americanos, de 0s28 (3min10s06). A Hungria ganhou a medalha de bronze (3min11s99).

“Pessoalmente, foi um desafio. Eu estava treinando, desde fevereiro (2017), para os 50 m e nadar ao lado dos caras que estão na pegada desde a Olimpíada… Eu estava ansioso, após um ano difícil, por eu não ter ido para a Olimpíada e o Brasil não ter pego nenhuma medalha na Olimpíada. Mas eles são os caras! O fato é que o 4×100 m livre é a prova mais importante da natação, em que se mostra a força da equipe. Achei que não iria mais pegar uma medalha no 4×100 m livre na carreira. Agradeço esta geração e é bom saber que vai representar o Brasil até 2024″, ressaltou Cielo.

A última medalha importante ganha pelo Brasil em piscina olímpica no 4×100 m foi um bronze, obtido pela geração de Gustavo Borges e Fernando Scherer, o Xuxa, nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996.

Piscina curta: medalhas no Mundial de Doha

Cesar Cielo comemora ouro e recorde mundial no 4x50 m medley

Cesar Cielo comemora ouro e recorde mundial no 4×50 m medley

A campanha da seleção brasileira de natação no 12º Mundial em Piscina Curta de Doha, no Catar, já fechando o ano de 2014, ganhou destaque. Cesar Cielo deixou o Mundial com cinco medalhas – ouro nos 100 m livre e nos revezamentos 4×100 m medley e 4×50 m medley e bronze nos 50 m livre e no revezamento 4×50 m livre misto – e o Brasil conquistou o título da competição – 7 medalhas de ouro, 1 de prata e 2 de bronze, fato inédito.

“Mesmo se o Brasil não fosse o primeiro no quadro de medalhas, sairíamos da competição como um país muito vitorioso e felizes, pelos resultados mesmo. A hora em que vimos o quadro de medalhas, uma coisa inédita… Foi a primeira vez na história e tomara que tenha sido a primeira de muitas. Foi uma energia que eu nunca tinha visto na seleção. Com certeza, foi um momento especial para a natação brasileira, mas ainda temos muito trabalho”

Cesar Cielo dividiu a temporada ao meio – um primeiro semestre dedicado a piscina longa e o segundo a piscina curta.

Também deu show no Troféu Maria Lenk, em São Paulo, no fim de abril – venceu os 50 m livre (21s39, melhor marca do mundo na temporada e o terceiro tempo de sua carreira na distância mais rápida da natação mundial); ganhou os 50 m borboleta com melhor tempo do mundo no ano (23s01). Fechou a competição com seis medalhas, quatro de ouro (50 m livre, 50 m borboleta,100 m livre e no revezamento 4×50 m livre), uma de prata (4×100 m livre) e uma de bronze (4×100 m medley) e, por sua incrível performance nos 50 m livre – ouro com o melhor tempo do mundo no ano: 21s39 – leva o índice técnico masculino do Troféu Maria Lenk.

O nadador conquistou sua primeira medalha em um Mundial, em Indianópolis/2004 – uma prata com o 4×100 m livre. Sua coleção de medalhas em Mundiais aumentou para 16, 10 em piscina curta (5 de ouro, 1 de prata e 4 de bronze) e 6 em piscina olímpica, todas de ouro e individuais (Roma/2009, Xangai/2011 e Barcelona/2013).

O tricampeonato mundial nos 50 m livre

Cesar Cielo beija a medalha de ouro no Palau Sant Jordi, em Barcelona

Cesar Cielo fechou 2013 como o único tricampeão mundial dos 50 m livre da história e o nadador mais rápido de todos os tempos antes e depois dos supermaiôs (20s91 é o recorde mundial e 21s32 o tempo na era pós-trajes).  Em Barcelona, foi bicampeão mundial dos 50 m borboleta e tricampeão dos 50 m livre. Esta foi uma temporada de muitos desafios até o desejado e inédito tricampeonato, em agosto. Enfrentou a mudança de treinamento com o técnico norte-americano Scott Goodrich (nadaram juntos nos tempos em que moraram em Auburn, no Alabama, nos EUA, e têm quase a mesma idade). Saiu do Flamengo e nadou o Troféu Maria Lenk pelo Clube de Campo de Piracicaba. E o maior de todos os desafios: se recuperar totalmente e readquirir confiança após a cirurgia feita nos joelhos, no fim de 2012.

Foram meses e meses de trabalho com o fisioterapeuta Nathan Cunha. “Eu passava mais tempo com ele do que com a minha família”, brincou Cielo.

O primeiro desafio era obter o índice para ir ao Mundial no Troféu Maria Lenk, em abril – chance única para garantir presença na seleção –, apenas seis meses depois da cirurgia nos joelhos. Venceu os 50 m livre no Maria Lenk em 24 de abril, com 21s57 – levou o ouro, garantiu vaga na seleção e ficou em segundo no ranking mundial. Ficou com a prata nos 50 m borboleta (23s16), não fez o índice CBAt, mas nadou abaixo da marca fixada pela Fina, de 23s96, e garantiu a chance de competir no Mundial também nos 50 m borboleta.

Aí, foi preciso intensificar o trabalho físico e na água, os treinos ficaram mais fortes e Cielo mais confiante. Treinou em São Paulo e no Arizona (EUA) por algumas semanas e disputou o Grand Prix de Santa Clara e o Aberto da França como testes para o Mundial. Recebeu apoio do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para a preparação na temporada, nas viagens para treinos e competições.

Cesar Cielo lutou e tudo deu certo. Encarou os 50 m borboleta na piscina montada no Palau Sant Jordi na estreia no Mundial e levou o bicampeonato. Nadou a prova em 23s01 para conquistar o ouro. Completaram o pódio o norte-americano Eugene Godsoe, prata (23s05), e o francês Frederick Bousquet, bronze (23s11).

Cesar Cielo na cerimônia de premiação no Mundial de Desportos Aquáticos de Barcelona/2013

Emoção no pódio em Barcelona/2013

“Minha dúvida era sobre o que iríamos tirar em cada prova. A gente sabia que poderia ser melhor do que no Maria Lenk, em abril, mas não se seria suficiente para ganhar as duas provas. Então, naquele momento, a primeira medalha de ouro meio que justificou toda a preparação, a nossa vontade e toda a força que fizemos para a recuperação da cirurgia o mais rápido possível. Passei semanas com o Nathan (Cunha, fisioterapeuta), cinco, seis horas de fisioterapia por dia, de segunda a segunda, sem parar. Ao ganhar os 50 m borboleta, o esforço que fizemos acabou sendo justificado na minha cabeça, um sentimento de missão cumprida estava se formando dentro de mim.”

Tudo estava dando certo, mas o principal desafio viria dias depois, com os 50 m livre. E a semifinal, fortíssima, aumentou a pressão. Cielo foi o primeiro em sua série, com 21s60, empatado com o norte-americano Nathan Adrian. Mas viu o francês Florent Manaudou, o campeão olímpico, fazer 21s37, a segunda melhor marca de todos os tempos, na outra série. Os oitos classificados nadaram as semifinais na casa dos 21 segundos. O americano Anthony Ervin fez 21s42. Os outros classificados foram Fred Bousquet (21s62), o russo Vladimir Morozov (21s63), o sul-africano Roland Schoeman (21s67) e George Bovell, de Trinidad e Tobago (21s74).

Na final, Cielo teve um bom tempo de reação na largada (0.63) e uma disputa com o russo Morozov, que levou a medalha de prata, com 21s47. O bronze ficou com Bovell (21s51), de Trinidad e Tobago. “Saindo da semifinal eu vi que a prova ia ser muito dura, pelo nível dos adversários e pelo que o Manaudou tinha nadado. Entrei com a mentalidade de melhorar o que havia feito no Maria Lenk, que foi 21s57. Sabia que havia uma melhora grande no treinamento para o Maria Lenk e o para o Mundial. Sabia que ia ser muito melhor, da evolução de todo o processo no joelho… Na minha cabeça não aceitava nadar nenhuma prova pior do que o que eu nadei no Maria Lenk.”

A final dos 50 m livre do Mundial de Barcelona – 32 braçadas até os 21s32, sem respirar nenhuma vez – foi, tecnicamente, uma das melhores provas de sua vida. “Consegui encaixar na competição tudo o que eu fiz nos treinos, vencendo tudo o que poderia ser adversidade e estragar, como o nervosismo. Deve ter sido a minha melhor prova em relação a aplicar o que eu treinei.”

As duas medalhas de ouro foram como dizer para Cielo que “estava de volta e pronto para encarar qualquer desafio”. No pódio, foi tomado pela emoção e pelas lágrimas e protagonizou um momento diferente no Palau Sant Jordi ao ser aplaudido pelo público nas arquibancadas durante o Hino Nacional. “Ponho tanta pressão e intensidade no que faço que cada vez que consigo um triunfo a emoção é muito grande para mim. É alcançar alguma coisa que eu sonhava, sabendo do comprometimento e dedicação para conseguir. Ter o carinho da arquibancada foi, sem dúvida, muito legal, inesperado até. Foram a prova e o pódio mais emocionantes da minha carreira”.

O trabalho com Scott Goodrich, novidade em 2013, foi definido por Cielo como um processo muito intenso e tenso. “Tive a sorte de achar um cara que topou a ideia e chegou a se mudar de país para conseguirmos conquistar tudo o que imaginamos. O que muita gente podia ver como uma descida na minha carreira depois de Londres, ele viu como oportunidade. Foi o primeiro grande campeonato dele como técnico e já saiu com duas medalhas de ouro, reerguendo uma performance que de foi terceiro para primeiro, a melhor da história sem os maiôs. É dar graças a Deus porque tudo o que imaginamos deu certo.”

O ano também teve como novidade a chegada de um novo patrocinador, a adidas. Cielo ainda renovou com a Gatorade, os Correios, a Embratel e a Audi. Cielo treinou nas piscinas do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, da Prefeitura de São Paulo, e do Clube Paineiras do Morumbi, e na Cia. Athlética.

A terceira medalha olímpica da carreira

Cielo e o bronze olímpico em Londres

Cesar Cielo ganhou sua terceira medalha olímpica nos Jogos de Londres/2012. A medalha de bronze, veio na prova dos 50 m livre, em 21s59. “Não vou mentir, eu queria ganhar. Mesmo assim, é mais uma medalha para o Brasil.” O ouro ficou com Florent Manaudou (21s34). “O francês fez a prova da vida dele, acho que nem ele esperava por isso.”

Recebeu o carinho da torcida. “Eu estava um pouco triste, mas a torcida me motivou quando gritou o meu nome como reconhecimento. Foi o momento mais emocionante ali na piscina. O Brasil ganha 15, 16 medalhas numa Olimpíada? Sair de Londres com uma e ter três na história dos Jogos e outras em Mundiais é bem bacana.”

Na mesma temporada, com uma touca diferente, inspirada no italiano Valentino Rossi, nove vezes campeão mundial de motovelocidade – “quando vê, já passou” – Cielo estreou no Campeonato Sul-Americano de Desportos Aquáticos, em Belém (PA), com ouro nos 50 m borboleta, em março, com a marca de 23s26, recorde do campeonato e melhor tempo do mundo no ano. Nos 50 m livre (21s85) ganhou ouro, novamente com recorde do campeonato e o melhor tempo do mundo no ano. Cielo saiu de Belém com outros três títulos sul-americanos para o Brasil – nos 100 m livre (48s70), nos 4×100 m medley (3min40s34) e nos 4×100 m livre (3min20s07) –, confiante em seguir evoluindo no Troféu Maria Lenk, em abril.

No Maria Lenk, no Rio, Cielo voltou a melhorar a marca nos 50 m livre. Nadou a prova em 21s38, mais uma vez o melhor tempo do mundo no ano para a distância e também o melhor tempo de sua vida na era pós-trajes tecnológicos. Nos 50 m borboleta, saiu da piscina com o ouro e o recorde sul-americano: 22s76. Na competição, Cielo conquistou mais quatro medalhas. Foi ouro nos 100 m livre (48s28), no 4×100 m livre (3min17s59) e no 4×100 m medley (3min36s10) e prata no 4×50 m livre (1min27s99).

Novos Cielos: preparando a próxima geração de campeões

Um evento especial marcou a temporada de 2012. Cesar Cielo voltou à piscina do Esporte Clube Barbarense, onde começou a nadar, aos 7 anos, para um evento especial: o I Torneio Novos Cielos. O Novos Cielos, programa do Instituto Cesar Cielo, tem o objetivo de apoiar talentos da natação, com treinamento para crianças e jovens e participação em competições.

Em Santa Bárbara, participaram do I Torneio Novos Cielos 200 crianças, de 8 a 14 anos. Feliz, Cielo passou o dia na beira da piscina, envolvido em diversas atividades, da locução à premiação e distribuição de autógrafos. “Sempre tem um retorno, um sorrisinho antes de pedir um autógrafo. Uma criança veio me perguntar se vi o tempo que ela fez. Estou junto com eles, não consigo me colocar em outra situação, é o que gosto de fazer.”

Cielo realizou o torneio com o apoio da família e de seus patrocinadores pessoais. O Instituto Cesar Cielo (ICC) é um retorno a comunidade. “Os patrocinadores sempre perguntam sobre trabalho social. Empresas podem ajudar, apesar de nossa cultura não estar tão preparada para isso.”

Bicampeonato mundial nos 50 m livre

Mundial de Xangai, bicampeão dos 50 m livre e ouro nos 50 m borboleta

Cesar Cielo encerrou 2011 com mais dois títulos mundiais em piscina longa, em Xangai (CHN): o bicampeonato nos 50 m livre (21s52) e o ouro nos 50 m borboleta (23s10). Ainda teve uma atuação de gala no segundo semestre, com mais quatro medalhas de ouro vindas nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, três delas com recorde pan-americano. Pela terceira vez, foi eleito o Melhor Atleta do Ano pelo Prêmio Brasil Olímpico, do COB, depois de vencer em 2008 e 2009.

Logo no início de 2011, uma mudança importante. Em fevereiro, Cielo anunciou que não voltaria a treinar em Auburn, nos Estados Unidos, onde estava desde 2006. Decidiu permanecer no Brasil e lançou o PRO 16, grupo formado por nadadores de elite sob o comando técnico de Alberto Silva, o Albertinho, com o objetivo de levar o País ao pódio das principais competições internacionais. Os nadadores seguiriam defendendo seus clubes em competições, mas treinariam com o PRO 16.

“Só o fato de treinar no Brasil com um grupo de alto nível dá mais motivação, melhora o ambiente”, disse Cielo. “Você vê o cara do lado treinando e sabe que ele quer fazer melhor que o campeão olímpico. E eu, claro, não vou querer que ele ganhe de mim. Assim, um ajuda o outro a buscar resultados.” Além de Cielo, o PRO 16 foi lançado com André Schultz, Henrique Rodrigues, Leonardo de Deus, Nicholas dos Santos, Tales Cerdeira e Vinícius Waked. Em agosto, Thiago Pereira e Henrique Barbosa se juntaram ao grupo, que, com a saída de Henrique Rodrigues, passou a ter oito integrantes.

Gerenciado pelo Instituto Cesar Cielo, o PRO 16 adotou como local de treino uma piscina pública, a do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP), ligado à Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação da Prefeitura Municipal de São Paulo. Desde o início, a piscina foi dividida com as crianças e adolescentes das aulas de natação do COTP, que podem ver nos ídolos a motivação para seguir no esporte.

Foco no Mundial

A preparação para o Mundial de Xangai (piscina de 50 m), principal desafio da temporada, começou em competições no Brasil e seguiu para Londres, em junho. Na piscina do Crystal Palace, também escolhido pelo Comitê Olímpico Brasileiro para a aclimatação da seleção para os Jogos de Londres, em 2012, Cielo passou dez dias treinando antes de disputar o Open de Paris.

Na França, foi campeão dos 50 m borboleta (22s98) e dos 50 m livre (21s66) com o melhor tempo do ano no mundo nas duas provas. Nos 100 m livre, o ouro veio em 48s26, a segunda melhor marca do mundo no ano. O excelente desempenho nos 50 m borboleta motivou o campeão a incluir a prova em Xangai, uma chance a mais de trazer medalha para o Brasil.

Encerrado o Open de Paris, Cielo foi informado do resultado adverso em antidoping realizado no Troféu Maria Lenk, em maio. A Federação Internacional de Natação (Fina) levou o caso à  CAS, a Corte Arbitral do Esporte, e o nadador seguiu para Xangai sem saber se poderia disputar o Mundial. Em 20 de julho, um Painel da CAS realizado em Shenshan, na China, aceitou as explicações de Cielo e decidiu manter a advertência dada pelo Painel de Controle de Doping da CBDA, sem nenhum período de suspensão.

Bicampeonato mundial nos 50 m livre

No dia 25 de julho, em Xangai, Cielo conquistou um título inédito para o Brasil, com o ouro nos 50 m borboleta. “Foi a medalha mais dura da minha vida. Esse ouro, definitivamente, tem um gosto diferente dos outros. Eu sabia que ia enfrentar os melhores do mundo e ser capaz de competir depois do que eu passei é uma bênção”, disse Cielo.

Mais importante ainda foi sair de Xangai com o bicampeonato mundial nos 50 m livre (o primeiro título veio em Roma, em 2009). “Mentalmente, foi um desafio que, na verdade, me deu mais confiança, me sinto um cara mais preparado”, disse Cielo, depois do Mundial. “Essas duas medalhas de ouro me deixam mais tranquilo e satisfeito. Foi um momento de aprendizado, de amadurecimento muito grande, de crescimento. Tenho orgulho de ter passado por esse momento com tanto sucesso no Mundial.”

Recordes em Guadalajara

De volta ao Brasil, já era hora de se preparar para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em outubro. Antes, nadou o Troféu José Finkel, “pesado” dos fortes treinos para o Pan. Ainda assim, conquistou seis medalhas de ouro: 50 m livre (21s97), 100 m livre (49s06), 50 m borboleta (23s48), 4×50 m livre (1min29s28), 4×100 m livre (3min19s46) e 4×100 m medley (3min39s96).

Em Guadalajara, foram quatro ouros: 50 m livre (21s58), 100 m livre (47s84) e revezamento 4×100 m livre (3min14s65), com recordes pan-americanos. Venceu, também, o revezamento 4×100 m medley (3min34s58). Depois das conquistas no Pan, Cielo teve pouco tempo de descanso. Ainda teria mais um desafio. Em dezembro, saiu do XXI Campeonato Brasileiro Sênior e do VII Open de Natação com quatro medalhas de ouro – 50 m livre (21s97), 100 m livre (48s42), 4×100 m livre (3min16s77) e 4×50 m livre (1min28s71) – e uma de prata no Sênior (4×100 m medley, 3min40s56). No Open, ficou com o ouro nos 100 m livre (48s42).

Pela terceira vez, o Melhor do Ano

Cielo fechou o ano da superação com o Prêmio Brasil Olímpico de Melhor Atleta de 2011, vencendo a disputa com Diego Hypólito (ginástica artística) e Emanuel Rego (vôlei de praia) – já havia recebido o título em 2009 (superou Diego Hypólito e Torben Grael, da vela) e em 2008 (contra Diego Hypólito e o velejador Robert Scheidt).

“Foi um ano de muita superação e novos desafios em minha carreira. A gente cai no buraco e fica difícil enxergar fora dele”, disse Cielo, emocionado. “Minha fé me segurou este ano e aqui estou como bicampeão mundial. A gente pode muito mais do que imagina. Este prêmio era o carinho que faltava para eu saber que estou de volta.”

Unificação dos títulos mundiais

 

Mundial de Dubai – ouro nos 100 m e nos 50 m livre

Nadando sem os maiôs tecnológicos, proibidos pela Federação Internacional de Natação (Fina) desde o início de 2010, Cesar Cielo manteve a regularidade nos 50 m livre e nos 100 m livre. O nadador, que já ostentava os títulos mundiais das duas distâncias em piscina longa (de 50 m), conquistados em Roma, em 2009, foi também o mais veloz no Campeonato Mundial em Piscina Curta (de 25 m) de Dubai, nos Emirados Árabes, em dezembro. Fez 20s51 nos 50 m livre e 46s74 nos 100 m livre, unificando os títulos mundiais e conquistando, nas duas provas, os recordes do campeonato e sul-americano.

O bom desempenho no Mundial de Dubai, incluiu, ainda, o bronze no revezamento 4×100 m livre, com 3min05s74, recorde sul-americano, ao lado de Nicholas dos Santos, Marcelo Chierighini e Nicolas Oliveira, e o bronze no revezamento 4×100 m medley: 3min23s12, com Guilherme Guido, Felipe França e Kaio Márcio.

O ano também marcou a mudança de clube. Cielo foi para o Flamengo em março – quando já havia retomado os treinos em Auburn (EUA) –, depois de sete anos defendendo o Pinheiros. Segundo ele, na decisão pesou o fato de Patrícia Amorim, presidente do Rubro-Negro, ter sido uma nadadora olímpica no passado, alguém que conhece o esporte. “Foi pela experiência dela e a tradição do clube na natação. E pelos projetos legais que eles têm para a modalidade, que talvez eu possa ajudar com minha presença”, afirmou Cielo, na época.

E ajudou mesmo. O nadador encerrou o ano com 20 medalhas conquistadas para o Flamengo em competições entre clubes brasileiros. No Troféu Daltely Guimarães e Open de Natação, realizado em Guaratinguetá (SP), em piscina curta, em dezembro, foram seis ouros, dois em cada uma das provas individuais que disputou – 50 m livre, 100 m livre e 50 m borboleta – e mais três medalhas nos revezamentos: prata nos 4×50 m livre e nos 4×100 m livre e ouro no 4×100 m medley.

No Troféu José Finkel, o Brasileiro em piscina curta (25 metros), no Rio, em novembro, conquistou duas medalhas de ouro individuais, nos 50 m livre (20s80) e nos 100 m livre (45s87), quebrando recordes sul-americanos que eram de Fernando Scherer, o Xuxa, e de Gustavo Borges, respectivamente. Ainda levou prata nos 50 m borboleta (22s71) e participou da conquista das duas pratas com os revezamentos 4×50 m livre (1min26s52, com Thiago Sickert, Nicholas dos Santos e Frederico Castro) e 4×100 m livre (3min14s02, com Thiago Sickert, Nicholas dos Santos e Gustavo Chagas) e do bronze no revezamento 4×100 m medley (3min33s10, com Leonardo Silva, Henrique Barbosa e Frederico Castro).

Em maio, Cielo saiu de Auburn, onde estava treinando com o técnico australiano Brett Hawke desde fevereiro, para defender o Flamengo no XLX Campeonato Brasileiro Absoluto de Natação – Troféu Maria Lenk (piscina de 50 m), realizado em Santos, São Paulo. Das 11 medalhas conquistadas pelo clube, cinco tiveram a participação do atleta. Cielo foi ouro nos 50 m livre (21s80), nos 100 m livre (48s63) e no revezamento 4×100 m livre (3min20s39, com Nicholas dos Santos, Ramom Melo e Thiago Sickert), prata no 4×50 m livre (1min29s9, com Nicholas dos Santos, Ramom Melo e Thiago Sickert) e bronze no 4×100 medley (3min41s23, com Thiago Sickert, Henrique Barbosa e Frederico Castro).

Cesar Cielo também foi buscar medalhas fora do Brasil e em competições internacionais. Nos Estados Unidos, foi ouro nos 50 m livre e nos 100 m livre nos GPs de Austin, em março, e de Columbus, em abril.

No Paris Open, em junho, um feito importante. Com o ouro nos 50 m livre, em 21s55, tornou-se o primeiro nadador a superar o tempo de Alexander Popov, 21s64, estabelecido em 2000, na era das sungas. Mas ficou frustrado com o quinto lugar nos 100 m livre: esperava nadar na casa dos 48 segundos e saiu da piscina com o tempo de 49s23.

No mês seguinte, dando sequência à preparação para o Pan-Pacífico de Irvine, competição em piscina longa mais importante do ano para o brasileiro, mais dois ouros, nos 50 m livre e nos 100 m livre nos Sectionals de Athens (EUA).

No Pan-Pacífico de Irvine, em agosto, Cielo não teve o desempenho que esperava, mesmo com a boa surpresa do ouro nos 50 m borboleta, prova que não é sua especialidade. Inconformado com a prata nos 50 m livre e com o bronze nos 100 m livre, decidiu reavaliar o planejamento e a preparação para o Mundial de Xangai, em 2011, e a Olimpíada de Londres, em 2012. “Foi o primeiro baque desde que comecei a treinar com o Brett Hawke, em Auburn, um despertador importante. Dá tempo de ver o que não funcionou e corrigir para os dois próximos anos”, disse Cielo, no retorno ao Brasil, onde retomou os treinos com Alberto Silva, o Albertinho, seu técnico no Pinheiros por sete anos.

Em setembro, os bons resultados na etapa do Rio da Copa do Mundo em Piscina Curta, com ouro nos 50 m livre e nos 100 m livre, animaram Cielo a disputar o Mundial de Dubai, de onde saiu com os títulos mundiais unificados. O desempenho provou que, para ser rápido, não era preciso fazer a preparação fora do País. “A segurança técnica que o Brasil passa é muito grande. Os técnicos são bem preparados, os nadadores já têm a experiência de competir no exterior, já aprenderam os cacoetes das competições, de um mexer com o outro, de olhar feio para o cara do lado”, disse Cielo, que seguirá treinando no Brasil.

Em 2011, ano de Mundial de Xangai e dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, o foco estará totalmente voltado para piscina longa. “Quero defender os títulos dos 50 e dos 100 metros livre que conquistei em Roma, em 2009. Chegar ao topo não é fácil, mas se manter é ainda mais difícil. E, no México, buscar resultados para o Brasil, mais do que realizações pessoais.”

 

Rei de Roma: ouros e recorde mundial

XIII Campeonato Mundial dos Desportos Aquáticos: Ouro nos 50 m e nos 100 m livre,com recorde mundial

 

Se 2008 já fora um ano importante na carreira de Cesar Cielo, com a medalha de ouro nos 50 metros livre nos Jogos de Pequim, a primeira da natação brasileira em Olimpíadas, e a de bronze nos 100 m livre, o nadador teve um 2009 para entrar para história. “Tudo deu certo. Às vezes, eu pensava que não era possível estar tudo funcionando tão bem. E ainda terminou com a surpresa de mais um recorde mundial”, afirmou Cielo.

Num ano coroado pelo recorde mundial dos 50 m livre (20s91), no Torneio Open de Natação, em dezembro, em São Paulo, Cielo saiu do Mundial de Roma (ITA), em agosto, consagrado como o maior velocista da história, depois de vencer os 50 m livre (21s08, recorde do campeonato) e os 100 m livre (este, com recorde mundial: 46s91). Igualou, ainda, o mítico russo Alexander Popov ao vencer, em sequência, os 50 m livre em Olimpíada e Mundial.

Mundial de Roma: alegria estampada no rosto pelos ouros nos 50 m e 100 m livre

As conquistas e recordes começaram em maio, no Troféu Maria Lenk, no Rio de Janeiro. Cesar Cielo deixou a competição com seis medalhas de ouro – levou o título em todas as provas que nadou – e recordes sul-americanos e do campeonato. Venceu os 50 m livre (21s33), com recorde do campeonato. Os títulos dos 50 m borboleta (23s42), 100 m livre (47s60) e dos revezamentos 4×50 m livre (1min26s42), 4×100 m medley (3min33s83) e 4×100 m livre (3min14s45) vieram com recordes sul-americanos.

Em junho, novos bons resultados no Circuito Mare Nostrum, com o ouro nos 100 m livre (48s83) e nos 50 m livre (21s97, recorde da competição) na etapa de Barcelona. Depois, na etapa de Canet, na França, foi prata nos 50 m livre (21s66).

De volta a Auburn, nos Estados Unidos, continuou a preparação para o principal objetivo da temporada, o Mundial de Roma. No início de julho, nas seletivas norte-americanas para o Mundial, Cielo viu mais uma chance de competir antes do grande evento. Nos 50 m livre, nadou a final B, reservada aos estrangeiros, e marcou 21s14, recorde da competição, recorde sul-americano e segunda melhor marca do mundo em 2009. Nos 100 m livre, também na final B, fez 47s69, novamente a melhor marca da competição. Cielo estava pronto para brilhar e entrar para a história no Mundial de Roma, com ouro nos 50 m livre e nos 100 m livre, este com recorde mundial.

Da Itália, Cesar Cielo veio para o Brasil. No Pinheiros, com o técnico Alberto Silva, o Albertinho, começou a se preparar para tentar bater o recorde mundial dos 50 m livre no Torneio Open de Natação, em dezembro, última competição com os supermaiôs, que tiveram o uso proibido pela Fina a partir de 2010.

De São Paulo – e do Pinheiros –, Cielo só saiu em novembro: foi ao Canadá, participar do revezamento da tocha olímpica para a Olimpíada de Inverno de Vancouver, em 2010. O campeão olímpico e mundial integrou um grupo de 15 personalidades de todo o mundo escolhidas para conduzir a tocha. De volta ao Brasil, mais um período de treinos duros antes da última competição da temporada.

Em dezembro, no Pinheiros, Cielo disputou o Campeonato Brasileiro Sênior de Natação e o Torneio Open de Natação e conquistou mais seis medalhas de ouro. Nos 100 m livre (16/12), fez 47s13, quinta melhor marca da história e recorde do campeonato. No Sênior, foi ouro nos 50 m livre, com 21s02 (17/12), até então, a segunda melhor marca de todos os tempos e recorde brasileiro e sul-americano.

No Open (18/12), tornou-se o nadador mais veloz da história ao quebrar o recorde mundial da distância, com 20s91. Também ajudou a equipe do Pinheiros (com André Daudt, Fernando Silva e Gabriel Mangabeira) a vencer o revezamento 4×100 m livre (3min16s30, recorde do campeonato): Cielo abriu a prova, com 47s29.

Também foi ouro no 4×50 m livre (19/12), com 1min26s12 (recorde sul-americano), ao lado de Nicholas dos Santos, Bruno Fratus e Nicolas Oliveira; e campeão no 4×100 m medley (3min37s57, recorde do campeonato), com Guilherme Guido, Henrique Barbosa e Tales Cerdeira.

 

Os prêmios se multiplicaram também fora da água, como o Prêmio Brasil Olímpico de Melhor Atleta do Ano na Natação e Melhor Atleta do Ano do Comitê Olímpico Brasileiro – recebeu o troféu das mãos do presidente Lula –, um dos cinco Brasileiros do Ano, pela revista Isto É, Melhor do Ano, na pesquisa do jornal O Estado de S. Paulo, personagem do ano da Associação Industrial de Santa Bárbara Do Oeste, Paulistano do Ano, pela Veja São Paulo, 100 Brasileiros Mais Influentes, Ídolos e Heróis, pela revista Época, apontado como atleta da década pelo cronista esportivo Juca Kfouri.

O 1º ouro olímpico da natação brasileira

Cesar Cielo passou para a história do esporte olímpico brasileiro ao conquistar a primeira medalha de ouro da natação nacional, nos 50 m livre, nos Jogos Olímpicos de Pequim. Ainda superou sua marca brasileira, sul-americana e olímpica da prova, com 21s30, a dois centésimos do recorde mundial, do australiano Eamon Sullivan (21s28). A marca anterior de Cielo, da semifinal da véspera, era 21s34. Cielo ganhou a primeira medalha de ouro da natação brasileira em Olimpíadas e a 11ª no geral – antes, eram três de prata e sete de bronze. Os franceses Amaury Leveaux (21s45) e Alain Bernard (21s49) completaram o pódio dos 50 m livre.

Cielo chorou em Pequim e ainda hoje escuta das pessoas, por onde circula, que vibraram a choraram com ele. “Ganho o dia quando alguém fala isso.” As lágrimas de Cesar Cielo emocionaram os brasileiros e o público que lotou o Cubo D´Água, no sábado, dia 16 de agosto de 2008.

“Tudo começou antes da semifinal. Fiquei pensando o dia inteiro na prova, mas consegui dormir. Atrás do bloco de partida estava um pouco nervoso porque estava buscando a minha melhor prova. Hoje foi um dia em que deu tudo certo. Agora é realidade. Consegui uma coisa que busquei a vida inteira e vou continuar batalhando porque muita coisa ainda está por vir”, disse, após a medalha.

Além dos 50 m livre, Cielo deixou a China com uma medalha de bronze nos 100 m livre, conquistada no dia 14 de agosto de 2008. Com 47s67, ganhou o bronze, empatado com o americano Jason Lezak. Na batalha final, o francês Alain Bernard, 47s21, ficou com o ouro e o australiano Eamon Sullivan, 47s32, com a prata.

Pan-Americano do Rio/2007

Cesar Cielo deixou os Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, com quatro medalhas, três delas de ouro. Com os tempos de 48s79, nos 100 m livre, e de 21s84, nos 50 m livre, superou os recordes pan-americanos das duas provas. Além disso, contribuiu decisivamente para a conquista do primeiro lugar também no revezamento 4×100 m livre ao fechar a série brasileira com o tempo de 48s18. Para encerrar a sua participação no Rio, ficou com a prata no revezamento 4×100 m medley.

Sem Fernando Scherer e Gustavo Borges, Cielo mostrou no Pan que era o velocista da nova geração. Já havia quebrado o recorde dos 100 m livre, em dezembro de 2006, e depois o dos 50 m livre, no Mundial de Melbourne, em março de 2007.Na época, Cielo comemorou sua marca nos 50 m. “Eu realmente fiquei muito feliz com o tempo que conquistei no Pan. A marca de 21 segundos é uma grande barreira que existe na natação. Muita gente abandona o esporte sem atingir essa marca. Então, fico muito feliz em conseguir isso com apenas 20 anos.”