Perfil

Cesar Augusto Cielo Filho

Cesar Cielo termina o ano com 3 índices para o Mundial de Kazã (RUS), em 2015

Cesar Cielo termina o ano com 3 índices para o Mundial de Kazã (RUS), em 2015

 

Data e Local de Nascimento: 10/01/1987, Santa Bárbara D´Oeste (SP)

Altura e peso: 1,95 m e 88 kg

Provas: 50 m e 50 m borboleta, 4×100 m livre e 4×100 m medley

Especialidade: 50m livre

Patrocínios: Gatorade, adidas, Embratel, Furnas, Fiat e Correios

 

 Motivação

De olho em índice ainda melhor para o Mundial nos 50 m livre

De olho em índice ainda melhor para o Mundial nos 50 m livre

Cesar Cielo tem características comuns aos campeões: competitivo, adora um bom desafio e não gosta de perder. E quem não gosta de perder treina mais, trabalha duro e busca motivação para, no fim de tudo, obter resultados. Em Pequim/2008, deu 34 braçadas, não respirou nenhuma vez, e ganhou a primeira medalha de ouro olímpica da natação brasileira: venceu os 50 metros livre, em 21s30, recorde olímpico. Uma prova tão rápida, pouco mais de 20 segundos! Mas quanto trabalho para chegar até lá! E haja motivação!

Cielo conta que começou 2008 acordando às 4h30 do dia 1º para um treino, em Auburn, com o técnico Brett Hawke. Um treino simbólico e duro: nadar 365 piscinas, uma para cada dia do calendário. “Em Pequim, se chegasse às finais dos 50 m livre e 100 m livre já seria muito bom. Mas, no fundo, eu sabia que estava lá por merecimento e mudei minha atitude, meu modo de pensar. Centésimos de segundo separam vencedor e perdedor, todos estão preparados. Então, a cabeça, a força mental, faz mesmo a diferença e, para isso, a motivação é fundamental.

O velocista chega a 2013 num patamar que o coloca entre os grandes campeões da história da natação, mas com o mesmo pensamento, ainda achando que buscar motivação é fundamental. “Se eu não quiser treinar, se eu não quiser ser o mais rápido, vai ter sempre um cara querendo, sempre ter alguém que vai lá buscar.” Cielo alcança o bicampeonato mundial dos 50 m borboleta e o inédito tricampeonato mundial dos 50 m livre no Mundial de Desportos Aquáticos de Barcelona, em 2013. Mesmo com 11 medalhas em Mundiais (de piscinas curta e longa), seis delas de ouro, ganhas em sequência nos Mundiais de Roma/2009, Xangai/2011 e Barcelona/2013, diz ainda buscar motivação para treinar e buscar ser o mais rápido do mundo. Fecha 2013 como o homem mais rápido da natação mundial, o recordista dos 50 m livre, com os supermaiôs (20s91) e também na era das bermudas (21s32).

Em 2014, coloca o alvo no Mundial de Doha em Piscina Curta (25 metros), em Doha, no Catar, e acerta em cheio. Leva seis medalhas – duas de ouro, nos 50 m borboleta e nos 100 m livre, e uma de prata, nos 50 m livre – e ainda mais dois ouros com o revezamento 4×100 m medley e 4×50 m livre e uma de bronze com o revezamento 4×50 m misto. As competições em equipe e, principalmente, a atuação do revezamento 4×100 m medley  com os companheiros da seleção brasileira foram a motivação que precisava para seguir em frente visando aos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. “Acho que essa geração é mais profissional, mais séria, mais preparada. De 2008 para cá é perceptível a evolução que tivemos com relação à seriedade das pessoas mesmo, é impressionante como a equipe está super profissional. Se alguém não vai nadar, fica na torcida, ajuda os outros da forma que pode. Quem vai nadar fica concentrado, sem fazer nenhum tipo de bobagem que possa atrapalhar o desempenho. É algo que ficou fácil, é uma equipe que dá gosto de ver, que qualquer técnico gostaria de ter na mão.”

Cielo tem vários mecanismos para encontrar motivação, além de treinar duro. Busca inspiração na história de vida de outros esportistas; se motiva quando ‘acorda’ o corpo no momento da largada; com a união com os companheiros de equipe; no ideal de ser a liderança pelo exemplo… Encontra proteção nos vários terços que ganha de presente – “boa parte vem de vovós, que dizem que sou parecido com os netos e também me dão fotinhos de santos” –, quando aponta para o céu antes da largada ou quando agradece um resultado.

E procura manter o foco. Busca energia positiva como consegue. Na verdade, está sempre inventando um jeito novo de se motivar, seja no treino com a “molecada”, fixando metas ousadas, na frases e metas que escrevia em papeizinhos e espalhava por toda a casa há alguns anos, mania que vem dos tempos de universidade, em Auburn… São mecanismos de fortalecimento mental que cria e usa, diferentes a cada temporada. “Faço coisas com as quais eu me sinta bem. São para fixar na mente os meus objetivos, que são diferentes a cada temporada, e me manter motivado.”

 

Exemplos de vida

A literatura e o cinema também servem de fonte de inspiração. Cielo gosta de biografias, em especial as que narram a vida de esportistas, com histórias de superação. Um dos livros favoritos é Coming Back Stronger, de Drew Brees, quarterback do New Orleans Saints, time de futebol americano de New Orleans que conquistou o Super Bowl em 2009, apenas quatro anos depois de a cidade ser arrasada pelo furacão Katrina. No livro, a história de Brees, que superou uma lesão no ombro que poderia ter encerrado sua carreira, se mistura ao renascimento da própria cidade, que também voltou mais forte da adversidade.

No cinema, Coach Carter, Um Treino para a Vida, é um dos filmes favoritos. Ele narra a história de Ken Carter, lenda do basquete da Escola Richmond nos tempos de estudante, que, anos depois, volta para assumir o time. Os jogadores são obrigados a assinar um contrato em que se comprometem a ter boas notas, bom comportamento, frequentarem as aulas e a usarem terno nos dias de jogos. Quando Carter percebe que alguns membros da vitoriosa equipe faltam às aulas e têm baixo rendimento escolar, ele os proíbe de entrar no ginásio e enfrenta a ira dos jogadores, da escola e da comunidade. Carter permanece fiel a seus princípios e só reintegra os atletas à medida que crescem também como pessoas, mais vencedores do que nunca.

 

Na época dos bilhetinhos

Quando ainda estava em Auburn, Cielo recebeu a seguinte frase de uma menina: “Não desperdice as chances que você mesmo criou.” A frase foi para a parede. “Encaixou direitinho, porque eu estava num momento difícil nos Estados Unidos, com saudade, não sabia o que fazer. Mas pensei: ´Não passei por tudo isso para ficar desesperado e deixar uma coisinha mudar o meu trajeto´.”

Várias frases como essa foram aparecendo ao longo da carreira:

“Medalhas de ouro não são realmente feitas de ouro. Elas são feitas de suor, determinação e uma liga difícil de encontrar chamada coragem” – Dan Gable, campeão olímpico de luta

“Jamais confunda derrotas com fracasso, nem vitórias com sucesso. Na vida de um campeão sempre haverá algumas derrotas, assim como na vida de um perdedor sempre haverá vitórias. A diferença é que, enquanto os campeões crescem nas derrotas, os perdedores se acomodam nas vitórias” – Anderson Silva

“Esteja mais preocupado com o seu caráter do que com a sua reputação. O seu caráter é o que você realmente é, enquanto sua reputação é meramente o que os outros pensam de você.”

 “Vai treinar! Você é seu maior adversário.”

“Enquanto você está aqui, c…, tem um maluco treinando.”

“Concentre-se na sua prova. Siga seus objetivos.”

“O problema é você mesmo! Aprenda a lidar com isso e se vire!”

Cielo também costuma escrever os tempos que quer alcançar em determinada prova. Uma vez conquistada a meta, o destino do papel é o fogo. Gosta de queimar tudo, como num ritual. Já anotou no papel o tempo de 49 segundos para os 100 m livre. Fez 48 segundos. Ganhou o bronze na Olimpíada de Pequim com 47s67 e bateu o recorde mundial da prova em Roma, em 2009, com 46s91 – mais papeizinhos queimados.

Irreverente, já usou fotos de ídolos como Gustavo Borges numa montagem em que o nadador aparece apontando para ele e dizendo: “Esse garoto vai longe.” Também mandou emoldurar capas das edições da revista Swimming World em que aparecem Gustavo Borges e ele próprio.

Os desafios se renovam a cada temporada. E também a motivação para superá-los. Na recuperação da cirurgia a que foi submetido nos joelhos em 2012, a inspiração veio de esportistas que enfrentaram – e venceram – situações parecidas. Na preparação para o Mundial de Barcelona, em 2013, pôsteres do tenista Rafael Nadal e do ex-jogador de futebol Ronaldo ganharam espaço na parede do quarto. “Vi o Nadal vencer Roland Garros deslizando como um maluco na quadra de saibro, fazendo uma coisa que dói muito mais do que estar na piscina. E o Ronaldo? Ver aquele momento em que ele caiu no campo, o joelho todo desfigurado… E, depois, voltar a jogar em alto nível, ser o artilheiro em Copas do Mundo… É uma inspiração para qualquer um, é um levantar inexplicável, mostra que é possível. Se o Ronaldo conseguiu chutar uma bola, eu vou conseguir ondular debaixo d’água.”

 

Antes das provas

A personalidade de lutador e vencedor se materializou para o público pelos rituais de Cielo antes das competições, depois de ocupar o lugar mais alto do pódio em disputas nobres, como Jogos Olímpicos, Mundiais e Pan-Americanos. E já são imitados por jovens nadadores. Na beira da piscina, pega água e cospe. Estapeia braços, pernas e tórax até ficar com o peito marcado, vermelho. O dedo aponta o céu e ainda se benze, tanto para pedir quanto para agradecer por um resultado. Se concentra. São imagens que impressionam os adversários, que mostram personalidade. “Tudo para ficar mais na pilha, para despertar o corpo”, explica.

A música também faz parte das conquistas e do arsenal de motivação. “Música é importante sempre, desde a hora que estou acordando, para sentir que ela está me motivando, jogando adrenalina, até a hora que eu sinto que preciso dar uma relaxada.” Mas ninguém verá Cielo entrar na área da piscina para competir com um fone no ouvido. “Nessa hora, prefiro manter a concentração e acho que a música me atrapalha.”

Antes das provas, a trilha sonora em seu iPod tem músicas que escolhe a dedo para incentivá-lo, do clássico ao rock. Nas finais em Pequim, ouviu o tema de abertura da série The Contender, que voltou a adotar no Mundial de Xangai, em 2011. No Mundial de Roma, em 2009, Welcome to the Jungle (Guns N’ Roses), embalou a conquista dos ouros nos 50 e 100 m livre e do recorde mundial nos 100 m livre. No Mundial de Dubai/2010, o hit foi Fireworks, de Kate Perry. No Pan de Guadalajara, em 2011, a eleita foi I Feel So Free, da banda brasileira de música eletrônica Spyzer. O bronze olímpico nos 50 m livre, em Londres/2012, veio ao som, de Waves (Jack Jonhson). Para o Mundial de Barcelona, a trilha sonora de inspiração - 20s91 - é música composta pela Spyzer em homenagem ao seu recorde mundial nos 50 m.

 

2016: Prioridade

Cielo quer nadar no Rio e ganhar um título. Mas sabe que não será fácil competir em casa. “A cobrança vai ser ainda maior”, diz o nadador, garantindo que, até os Jogos do Rio, sua vida vai girar em torno da conquista dessa medalha. Cielo pretende continuar nadando até a Olimpíada de 2020, caso não seja “atropelado pela nova geração”.

 

Jogo Rápido

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Comida preferida: Japonesa e o frango com polenta da avó

Bebida: Vinho, eventualmente

Música: Eletrônica, clássica e rock das antigas

Cidade: São Paulo, Rio e Barcelona (ESP)

Lugar marcante: Foro Itálico, em Roma, “onde bati o meu primeiro recorde mundial”

Viagem Inesquecível: Para a Polônia – visitou o campo nazista de Auschwitz

Programa de TV: Séries em geral

Livro: Coming Back Stronger, de Drew Brees

Filme: Coach Carter – Treinando para a Vida, Megamind (dos últimos que assistiu)

Time de futebol: Não tem um desde criança, mas é Barbarense por causa da cidade natal

Ídolo: Gustavo Borges e Fernando Scherer, o Xuxa

Melhor companhia: Amigos e família

Carro: Audi

Hobby: Jogar videogame

Superstição: Se benzer, apontar para o céu, se bater para acordar o corpo… (“Não sei se posso chamar de superstição, talvez manias, que mudam a todo momento”)

Bicho de estimação: Cachorro. Tem uma sheepdog (Cookie) e um labrador (Totó)

Campeonato Mundial FINA em Piscina Curta

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