O velocista vai disputar seis provas por pontos para o clube: 50 m livre e borboleta, 100 m livre e os revezamentos 4×50 m e 4×100 m livre e 4×100 m medley; depois, férias
São Paulo – O campeão mundial e olímpico da natação brasileira Cesar Cielo ficou longe da piscina por apenas quatro dias antes de retomar o trabalho – dando uma esticada na temporada olímpica – para o Troféu José Finkel, de segunda-feira a sábado (20 a 25/8), no Sesi Vila Leopoldina, em São Paulo. Cielo, de 25 anos, vai nadar pelo Flamengo todas as provas em que é especialista – 50 m e 100 m livre, 50 m borboleta e os revezamentos 4×500 m e 4×100 m livre e 4×100 m medley. A primeira prova de Cielo será os 50 m livre, com eliminatórias e semifinais na segunda-feira (20/8) e final na terça-feira (21/8).
Para encarar o José Finkel após a Olimpíada enfrentou treinos leves e uma dieta “com algumas escapadinhas”. Mas, como o primeiro semestre foi muito regrado, com treinos pesados e dieta rigorosa, Cielo acha que a bagagem acumulada vai ser carregada para o Finkel e espera somar pontos para o Flamengo. “Todas as minhas provas têm eliminatórias, o que significa nadar três vezes cada uma, mas vou tentar ganhar e quem sabe faço algum índice. Mas primeiro vou nadar para o Flamengo mesmo.” O José Finkel é seletivo para o Mundial de Piscina Curta de Istambul (TUR), em dezembro.
“Vou usar o tanque reserva”, brincou Cielo. “A competição em si é tranquila. Mas essa preparação para entrar na competição logo após a Olimpíada não é fácil, não. Fica difícil acordar com o alarme, vir para a água fria de manhã, comer certinho. Foi uma contagem regressiva – 10 dias para o Finkel, 9 dias, 8 dias… Mas nós já sabíamos que haveria a competição e vamos usar o que ainda temos de reserva para defender o Flamengo da melhor forma que conseguirmos. O corpo nem tanto, mas a cabeça, sim, está bem cansada”, resumiu Cielo, que trouxe de Londres sua terceira medalha olímpica, o bronze nos 50 m livre.
Cielo terá como companheiras na competição as nadadoras australianas Marieke Guehrer e Kelly Stubbins, que vieram ao Brasil para nadar o Finkel pelo Flamengo. “Era difícil trazer estrangeiros justamente porque todo mundo estava trabalhando para a Olimpíada. Tinha de achar nadadoras que se encaixassem perfeitamente. E elas estão treinando para o Mundial de Piscina Curta – vai ter seletiva australiana – e, se não estão na melhor forma, estão perto.”
“Foi bom para o Flamengo”, prosseguiu Cielo. “A Marieke ganhou o título de rainha da Copa do Mundo de 2010, tem vários dos melhores tempos em piscina curta nos 50 e 100 m livre, 50 e 100 m borboleta e nos 50 m costas. Tem um leque de provas muito bom para piscina curta. A Kelly foi medalhista em Dubai. E é legal para dar uma puxada nas meninas aqui no Brasil. Espero que seja uma situação de ganho para todo mundo, para a natação do Flamengo, para a natação feminina do Brasil, ter essas duas atletas puxando as provas. Espero que, de alguma forma, a gente consiga ajudar as meninas. Os índices estão muito fortes no Brasil e temos de dar um jeito de voltar a ter as mulheres, que se dedicam tanto quanto os homens, nas competições.”
Cielo vai tirar férias depois do Finkel, ainda não sabe por quantos dias – duas ou três semanas, provavelmente. As férias podem até ser num lugar mais frio, talvez com neve, ainda não sabe, mas, com certeza, longe da piscina e até da praia. “A hora em que eu sentir falta da piscina vai ser a hora de voltar. A gente reclama bastante, mas a vida é tão regrada que a hora que tira essa rotina parece que a gente fica perdido. Então, quando eu sentir falta, eu volto. Acho que o mais importante agora é descansar a cabeça para voltar com vontade de treinar para, no ano que vem, voltar a buscar medalha nos 50 m livre.”
Para o Mundial de Barcelona (ESP), no ano que vem, Cesar Cielo disse que vai focar nos 50 m livre e nos 50 m borboleta, as duas provas que venceu no Mundial de Xangai/2011. “Acho que vou focar mais na velocidade mesmo. Se eu sentir que os 100 m livre estão saindo, vamos focar nele também, mas as prioridades serão os 50 m livre e borboleta. Vamos ver como eu vou me sair nas competições preparatórias. Mas a moldura da temporada, a estrutura, continua a mesma.”
Novas “flamenguistas”
Este ano, o Flamengo terá o reforço das australianas Marieke Guehrer e Kelly Stubbins no Troféu José Finkel. Marieke está no Brasil pela segunda vez – há quatro anos, nadou uma etapa da Copa do Mundo em piscina curta em Belo Horizonte. Para Kelly, porém, tudo é novidade. “Estou me divertindo muito até agora. Cesar é o nosso guia e seria muito bom poder ficar mais tempo e conhecer mais lugares”, diz Kelly. As nadadoras terão pouco tempo no Brasil depois da competição. “Vamos ficar mais um dia e meio, o que é até bastante. Normalmente, viajamos de volta no dia seguinte”, acrescentou Marieke.
Marieke conta que foram elas que procuraram Cielo, no início do ano, para perguntar sobre a possibilidade de disputarem uma competição de clubes no Brasil. “Nós já sabíamos que os clubes brasileiros contratam estrangeiros para suas competições, mas estávamos pensando em alguma coisa para o ano que vem. Cielo disse: ‘Que tal em agosto?’ E aqui estamos.”
As nadadoras não sabiam da força do Flamengo no futebol. “Depois nos contaram que é o time com maior torcida no Brasil. E agora tem duas torcedoras a mais”, brincou Marieke, que já aprendeu duas palavras em português: obrigada e Mengo. A atleta espera seguir na natação por mais quatro anos para tentar disputar os Jogos do Rio, em 2016. “Acho que vai ser uma grande festa.” Para Kelly, o problema maior é patrocínio. “Vamos ver o que consigo de recursos nos próximos anos.”
Segundo Marieke, é muito caro nadar na Austrália. “Na verdade, nós pagamos aos clubes para nadar em vez de sermos pagas. Não importa se você é campeã olímpica, campeã mundial. Ainda tem de pagar ao clube para treinar com seu técnico. Os recursos vão para a seleção. Se você não está na seleção, não tem recursos.”
A Austrália tem tradição na natação, o que, para Marieke, explica em parte os bons resultados do país. “Nunca ficamos fora dos Jogos Olímpicos, por exemplo. Isso é uma história de mais de cem anos. As crianças aprendem a nadar desde cedo, temos muitas piscinas, infraestrutura… É preciso tempo, investimento, para um país se destacar em um esporte”, observou Marieke.
Segundo a nadadora, o mais importante para chegar à elite é o comprometimento com a excelência, a procura constante da perfeição. “Há nadadores que fazem quilômetros e quilômetros na piscina e acabam se esquecendo da técnica”, observou Marieke. “É essencial conversar com o técnico e tentar achar um modo de tirar o máximo de você. Isso significa trabalhar a técnica, a habilidade e também a parte na piscina.”
Cesar Cielo é atleta do Flamengo e tem patrocínio de Avanço, Embratel, Correios, Audi, Gatorade e Arena.