Cielo vai à decisão dos 100 m livre em Londres com seu melhor tempo do ano

Bronze em Pequim/2008, o campeão e recordista mundial da prova marcou 48s17 nas semifinais: “Agora, é entrar em um ritmo mais forte e tentar pegar um lugar no pódio”
Cielo: "Vou nadar o meu melhor na final e torcer por pódio"
São Paulo – Cesar Cielo está na decisão dos 100 m livre nos Jogos Olímpicos de Londres. Nas semifinais desta terça-feira (31/7), o recordista e campeão mundial da distância em Roma/2009 (46s91) fez 48s17, seu melhor tempo no ano, a quinta marca entre os classificados para a final. Nesta quarta-feira (1/8), a partir das 16h20 (horário de Brasília), o medalhista de bronze em Pequim/2008 volta ao Centro Aquático de Londres, no Parque Olímpico, para lutar por mais uma medalha olímpica nos 100 m livre. “A semifinal foi muito boa, deu até para dar uma seguradinha no fim”, disse Cielo. “Para a final, é entrar em um ritmo mais forte, baixar dos 48 segundos e tentar pegar um lugar no pódio.” Apenas 75 centésimos de segundo separaram o primeiro do oitavo classificado para a final: 47s63, do australiano James Magnussen, e 48s38, do russo Nikita Lobintsev. “Os 100 m são isso mesmo”, disse Cielo. “Qualquer um pode vencer e vou ter de ficar esperto com todo mundo. Mas em Pequim eu nadei a final na raia 8 e saí com o bronze. Vou nadar o meu melhor e torcer para o meu melhor dar para pegar medalha.”
Cielo fez seu melhor tempo do ano, 48s17, para entrar na final
Muito descanso é o que está nos planos de Cielo na preparação para a final. “É fazer nada mesmo, para poupar o máximo de energia. Nessas horas, penso até para escovar os dentes, é uma coisa meio paranoica. Vou ficar de perna para cima o dia inteiro. Vou rezar um pouquinho e descansar bastante”, disse o nadador do Flamengo. Nesta quinta-feira (2/8), Cielo começa a defesa do título olímpico dos 50 m livre, com elimitórias a partir das 6 horas e semifinais a partir das 15h30 (horários de Brasília). A final está marcada para 3/8, a partir das 16h09 (de Brasília). Cielo é bicampeão mundial (Roma/2009 e Xangai/2011) e campeão olímpico dos 50 m livre, com 21s30 (recorde olímpico). Também é o recordista mundial da distância (20s91, em 2009). Cesar Cielo é atleta do Flamengo e tem patrocínio de Avanço, Embratel, Correios, Audi, Gatorade e Arena.

Cesar Cielo estreia nos 100 m livre nos Jogos de Londres

Velocista cai na piscina do Centro Aquático para as eliminatórias nesta terça-feira (31/7), a partir das 6 horas (de Brasília) – nada na série 6 e entra na prova com o tempo de 47s84
Cesar Cielo: estreia no Centro Aquático nos 100 m livre
  Londres – O velocista Cesar Cielo estreia nesta terça-feira (31/7) nos Jogos Olímpicos de Londres, nos 100 m livre, prova em que ganhou a medalha de bronze em Pequim/2008. A disputa das eliminatórias da distância abrem o programa de provas, que terá início às 6 horas (horário de Brasília), no Centro Aquático de Londres – a piscina fica no Parque Olímpico. Cielo vai nadar a sexta de oito séries eliminatórias e entra com o terceiro melhor tempo entre os inscritos, os 47s84 obtidos no Pan-Americano de Guadalajara, em 2011. Os australianos James Roberts (47s63), na série 7, e James Magnussen (47s10), na 8, têm os outros dois melhores tempos de entrada. Os 16 melhores passam às semifinais, no mesmo dia, a partir das 15h30 (horário de Brasília). A disputa dos 50 m livre, outra prova individual de Cesar Cielo, começa na quinta-feira (2/8), com eliminatórias e semifinais. As finais estão programadas para sexta-feira (3/8). Cielo é bicampeão mundial (Roma/2009 e Xangai/2011) e campeão olímpico dos 50 m livre, com 21s30 (recorde olímpico). Também é o recordista mundial da distância (20s91, em 2009). Nos 100 m, Cielo trouxe a medalha de bronze de Pequim, com o tempo de 47s67, mas é campeão e recordista mundial (Roma/2009, com 46s91). No ranking de 2012, Cielo ocupa a nona posição, com a marca de 48s28, feita no Troféu Maria Lenk, em abril. Quando conversou com os jornalistas em Londres, Cielo, de 25 anos, deixou bem claros seus objetivos na competição. “A chance maior está em buscar o bicampeonato olímpico nos 50 m, mas toda prova vai ser de fazer o melhor da vida. Sinto que a chance maior está nos 50 m. Mas em Pequim eu nadei os 100 m na raia 8 e ganhei um bronze. Não vou descartar em nenhum momento a minha possibilidade de brigar pela prova dos 100 m, até porque, nos últimos anos, eu venho me mantendo entre os melhores do mundo. Vou tentar fazer tempo melhor que o do Pan-Americano nos 100 m, o meu melhor tempo da vida nos 50 m, fazer o meu melhor e torcer para ser suficiente para levar as medalhas.” O técnico Alberto Silva reforçou a ideia de brigar para ir ao pódio. “Se a gente conseguir encaixar a melhor prova dos últimos anos, da vida dele, será muito bom. Ele se preparou para isso, dentro da nossa estratégia de, até o Maria Lenk, fazer um trabalho de resistência lática para ele aguentar a volta, e, depois, um trabalho para ficar veloz e ter uma passagem confortável, lapidando essa volta dele”, avaliou Albertinho, que comanda o grupo de treinamento PRO 16, de Cielo, nadador do Flamengo. O treinador observou que o velocista realizou bem seu trabalho. “O Cesar tem uma percepção grande. Então, é muito de como ele se sentir. Vai depender de como as coisas rolarem nas eliminatórias e semifinais, para ele e os adversários… Vai nadar dentro da realidade de como ele se sentir na hora”, acrescentou Albertinho. O treinador prefere não falar em tempo, mas sua expectativa é que Cielo possa encarar os adversários em igualdade de condições. “Espero que faça uma prova olho no olho… e a gente enfartando… Se disputar até o último metro, qualquer que seja o adversário, é o que trabalhamos no treino. Difícil falar em tempo. Se a prova for disputada em 47 e meio que ele esteja em condições de fazer isso, se for em 47:3 também”, afirmou. Cesar Cielo é atleta do Flamengo e tem patrocínio de Avanço, Embratel, Correios, Audi, Gatorade e Arena.

Albertinho torce por 100% de Cesar Cielo e do PRO 16 em Londres

Cesar Cielo no Centro Aquático, em Londres
    O grupo, idealizado pelo campeão olímpico, atleta do Flamengo, e que tem nadadores de elite de clubes do Brasil, terá seis integrantes na piscina do Parque Aquático, a partir de sábado (28/7) São Paulo – O técnico Alberto Silva, o Albertinho, comanda o Projeto Rumo ao Ouro em 2016, o PRO 16, grupo de treinamento de elite, que reúne atletas de vários clubes, entre eles a principal estrela da natação brasileira, Cesar Cielo, do Flamengo, treinando no Centro Olímpico, piscina pública da Prefeitura de São Paulo. Nos Jogos Olímpicos de Londres, a partir de sábado, quando começam as disputas da natação, e até o dia 4 de agosto, Albertinho vai ver na competição o trabalho de um ano e meio com o PRO 16. “O projeto começou com o Cesar Cielo, com a decisão dele de voltar ao Brasil, com a minha saída do Pinheiros… Fomos acrescentando mais alguns objetivos e passou a ser o sonho de outras pessoas que foram se juntando a nós. O projeto começou com o Cielo querendo voltar ao Brasil e o primeiro objetivo eram os Jogos”, afirma Albertinho. O PRO 16 tem um ano e meio. Que avaliação você faz? Alberto Silva – É um projeto de alto rendimento, que juntou atletas do Brasil treinando juntos, em alto nível, num local bem estruturado, superando as deficiências que tínhamos – sempre faltava alguma coisa. Eu só colocaria coisas positivas em relação a isso. Fomos agregando cada vez mais atletas que estavam treinando em grandes centros e com grandes técnicos lá fora e acabaram voltando para o Brasil… Vemos o programa encaixando, o Centro Olímpico melhorando ainda mais com o pool com o COB e a CBDA. Mas fica difícil finalizar essa avaliação antes do fim dos Jogos Olímpicos. Foi uma decisão acertada fazer o projeto? Alberto Silva – O projeto começou com o Cesar Cielo, com a decisão dele de voltar ao Brasil, com a minha saída do Pinheiros. Fomos acrescentando mais alguns objetivos e passou a ser o sonho de outras pessoas que foram se juntando a nós. O primeiro objetivo eram os Jogos de Londres. Agregar os atletas, desenvolver nosso trabalho, nosso centro de treinamento, chegar com o grupo todo na Olimpíada. Está bem encaminhado e podemos ser vitoriosos. Estou satisfeito com o trabalho que eu e a equipe toda, de atletas e profissionais, conseguimos realizar – tudo o que identificamos como falha do grupo ou como estratégia de trabalho e das provas dos atletas pusemos em prática, trabalhamos, realizamos e vimos as mudanças para melhor. Agora, é esperar acontecer a competição. Quais as perspectivas para Londres dos integrantes do PRO 16? Alberto Silva – Os 100% em termos de grupo seria ter todos nas finais, uma meta difícil porque é uma questão de momento, o da competição, do fator psicológico na hora, e algo que tenhamos acertado mais ou menos… E o que pesa mais agora é o fator psicológico e o que a gente não controla, que são os adversários. Podemos ficar fora de algumas finais e será normal, mas os tempos que eles fizeram no ano…. Tivemos o grupo inteiro entre os top ten do mundo e oito vão à final. Eu diria que é uma meta realizável, apesar de a gente saber das dificuldades. O que podemos imaginar para o Cesar Cielo? Alberto Silva – Eu quero vê-lo bicampeão olímpico nos 50 m livre. Para os 100 m livre…. Bom, se a gente conseguir encaixar a melhor prova dos últimos anos, da vida dele, será muito bom. Ele se preparou para isso, dentro da nossa estratégia de fazer um trabalho de resistência lática para ele aguentar a volta, até o Maria Lenk, e, depois, um trabalho para ficar veloz e ter uma passagem confortável, lapidando essa volta dele. Ele realizou bem esse trabalho e espero que faça uma prova de 100 m muito boa. O Cesar tem uma percepção muito boa dele mesmo, então é muito de como ele se sentir, vai depender de como as coisas rolarem nas eliminatórias e semifinais, para ele e os adversários… Ele vai nadar dentro da realidade de como ele se sentir na hora. E para os demais integrantes do PRO 16? Alberto Silva –No caso do Thiago Pereira, a gente espera que ele traga uma medalha para o Brasil, que tenha a tranquilidade que teve a temporada praticamente toda para fazer eliminatórias e semifinais com características de eliminatórias e semifinais e a final da prova dentro do que treinou. Se ele fizer isso, a chance de medalha é grande, respeitando todos os adversários. Não é preciso se testar nas eliminatórias e semifinais e, na final, é preciso confiar na sua prova. Ele pode bem perto dos adversários na primeira metade da prova, dentro da característica que ele treinou, e acreditando na final. O PRO 16 tem o Leonardo de Deus, o Henrique Barbosa, o Nicolas Oliveira, o Nicholas Santos… Alberto Silva – Estão no mesmo patamar. O Leonardo de Deus tem 1:55 e meio (200 m borboleta). Se entrar numa final melhorando o tempo dele, para 1:54, isso poderia motivar para tentar estar entre os seis, levando em conta que acerte tudo. O mesmo para o Henrique Barbosa e o Tales Cerdeira. Eles tem 2:09…. No restante do mundo estão nadando 2:08. De repente nadam numa semifinal para 2.08 e entram numa final motivados. Seria um grande feito estarmos na final. O Nicolas Oliveira fez uma temporada curta com o grupo, do Maria Lenk para cá e talvez não tenha dado para fazer tudo o que era preciso, mas treinou bem. Como é a primeira vez que faz a temporada com o PRO 16, seria bom já nas eliminatórias ele sentir que tem condição. Ele tem e reuniu essas condições, trabalhou bem, mas precisa nadar uma eliminatória bem, para passar com confiança para uma semifinal. Se nadar como espero, pode ajudar o revezamento… O Cesar, um dos mais rápidos do mundo, tendo um cara desses bem, com tempo de top oito, pode contagiar positivamente o time, que fica mais forte. Pode ser um cara importante para ficar até o final da Olimpíada, de repente nadar a eliminatória do revezamento medley, poupando o Cesar ali. Espero que o Nicholas esteja bem para fazer o papel dele de ajudar a classificar o revezamento para a final e, indo um pouco além, que mostre um resultado tão bom que acabe cavando um lugar na final também. Os revezamentos são candidatos à medalha? Alberto Silva – Revezamento é momento, mas dependeremos de quatro caras estarem bem, na mesma hora, no dia da competição. Não temos oito atletas nadando o mesmo tempo. Temos quatro. Mas temos o recordista mundial e se o Nicolas Oliveira chegar a uma final, nadando para um 48 baixo, já dá uma boa melhorada. Se não me engano, a média do revezamento americano foi de 48:4, 48 e meio. Se o Nicholas Santos melhorar também, o Chiereghini evoluir… O Fratus, sempre que a gente precisou dele, fez a parte dele no revezamento… Se tudo isso se ajustar, teremos um revezamento competitivo. A Austrália está acima de todo mundo, a França também tem um patamar até melhor do que o dos Estados Unidos no papel e os americanos nem estão tão melhor do que nós. Estamos entre os seis primeiros. Se tudo sair direito, no momento, dá uma clareada. No quatro estilos…. que é no final do programa, vai depender das provas individuais. Se Cielo, o França e o Thiago levarem medalha… Eles entrariam no revezamento com tudo. Se der tudo errado… pode dar uma brochada. Depende do que acontecer na competição. Qual o tempo que o Cielo pode fazer em Londres? Ele fixou como meta, ganhar os 50 m livre com índice olímpico. Alberto Silva – O Cesar muda as metas dele durante a temporada, conforme saem os treinos.Tem sensibilidade grande. Treinou, trabalhou, para nadar 21s20, mas criou a expectativa para 21s30, o recorde olímpico, nos 50 m livre. Mas ele não vai nadar tudo nas eliminatórias e semifinais e aí vai sentindo. Passou o Maria Lenk, priorizamos a velocidade. Ele fica feliz e confiante quando está rápido. A ideia foi de lapidar, depois do Maria Lenk, tudo o que construímos até lá. Espero mesmo que esteja rápido para defender o título dos 50 m livre e tentar melhorar nos 100 m com medalha. Espero que faça uma prova olho no olho… e a gente enfartando… Se disputar até o último metro, qualquer que seja o adversário, é o que trabalhamos no treino. Difícil falar em tempo. Se a prova for disputada em 47 e meio que ele esteja em condições de fazer isso, se for em 47:3 também. Cesar Cielo é atleta do Flamengo e tem patrocínio de Avanço, Embratel, Correios, Audi, Gatorade e Arena.

Cesar Cielo: “Estou no caminho de fazer os melhores tempos da minha vida”

  Em entrevista nesta quarta-feira (18/7), no Crystal Palace, campeão olímpico dos 50 m mostrou confiança em um bom desempenho em Londres São Paulo – O velocista Cesar Cielo conversou com os jornalistas nesta quarta-feira (18/7), no Crystal Palace, e disse que vai pensar em sua melhor performance possível, nos 50 m e nos 100 m livre, independentemente dos adversários. “Vou tentar fazer o meu melhor e torcer para que seja suficiente para levar as medalhas”, disse o velocista. Na entrevista, Cielo também falou sobre a pressão de ser recordista mundial, das mudanças na natação brasileira após o título nos Jogos de Pequim, em 2008, e sobre o PRO 16. O foco total será nos 50 m? Os 100 m são a sua segunda prova? Bom, será um dia de cada vez, uma prova de cada vez. Os 100 m livre vêm primeiro, mas vou nadar como se fosse os 50 m, como se fosse a última prova da minha vida, fazer o melhor, assim como representar o Brasil da melhor maneira possível no revezamento, que é no segundo dia. Estou visualizando os meus melhores tempos. Hoje, a chance maior está em buscar o bicampeonato olímpico nos 50 m, mas toda prova vai ser de fazer o melhor da vida. Sinto que a chance maior está nos 50 m. Mas em Pequim eu nadei os 100 m na raia 8 e ganhei um bronze. Não vou descartar em nenhum momento a minha possibilidade de brigar pela prova dos 100 m, até porque nos últimos anos eu venho me mantendo entre os cinco melhores do mundo. Vou tentar fazer tempo melhor que o do Pan-Americano nos 100 m, o meu melhor tempo da vida nos 50 m, fazer o meu melhor e torcer para ser suficiente para levar as medalhas. Sobre a diferença entre as duas passagens pelo Crystal Palace, para treinos e agora, mais perto dos Jogos A piscina está mais bonita e mais rápida e eu me sentindo melhor. Naquela fase, a gente ainda estava em período de crescimento de treinos de força, de resistência, de velocidade. Agora, diminuindo os treinos, o corpo vai ficando mais leve, mais forte. Quanto mais perto da competição para a gente da velocidade é melhor, a gente vai treinando menos, se sentindo melhor, vai ficando tudo mais alegre, mais positivo, a gente está bem empolgado, bem feliz mesmo. Acho que estou no caminho de fazer os melhores tempos da minha vida. Sobre ser recordista mundial – a bagagem conta ou ainda vai aumentar a pressão Na verdade, não conta para nada. Em Olimpíada, volta tudo para a estaca zero, o campeão mundial, o recordista mundial ou o nono do ano passado, estão todos brigando pelas mesmas medalhas. Tem de entrar como se fosse a primeira vez, brigando como qualquer outro atleta. Esse recorde aí não vai me fazer bater na frente de ninguém se eu não nadar a minha melhor prova. Estou pensando em fazer aqui o melhor tempo da minha vida, independentemente se vai ser o melhor da competição ou não, o melhor da história ou não. O mais importante agora é conseguir executar a prova no momento de ansiedade. O resto está fora do meu controle.O que eu posso fazer é o meu melhor na piscina e torcer para isso ser suficiente. Única derrota que sofreu nos últimos anos foi para o Nathan Adrian. Ele não está aqui. Acha que pode sair recorde mundial numa das duas provas aqui, seu ou de seus adversários, do James Magnussen, nos 100 m, por exemplo? Estou esperando que sim. Você tem de estar na expectativa de que seus adversários possam fazer o melhor tempo da vida e tentar, sim, imaginar uma situação dessas. Não dá para contar com adversário vacilando. O primeiro tipo de derrota começa aí, você torcer para que alguém faça uma prova ruim. Uma Olimpíada em que tudo pode ocorrer, só tem gente boa. O Mundial de Xangai, no ano passado, já deu uma base do que pode ocorrer. Aqui é um campeonato um pouco mais especial, podem ocorrer surpresas. Estou buscando os meus melhores tempos sem os trajes, imaginando aí o 21s30 e o 47s84 que tenho do Pan-Americano. Se o Nathan está dentro ou fora, ao meu ver, é ainda mais difícil. Se o Nathan está fora é porque tem dois nadadores melhores do que ele. Então, não é uma tranquilidade. Tem de ficar esperto porque entrou um campeão olímpico e um cara que já nadou muito bem nos últimos anos, que é o Cullen Jones. Favoritismo nos últimos quatro anos O que eu sempre pensei e continuo pensando é em achar algum ‘buraco’ na prova, em como executar melhor alguma coisa e tentar fazer isso num momento em que está todo mundo ansioso, nervoso. Não tento ganhar de ninguém. Durante todos esses anos sempre foquei em tentar fazer o meu melhor. Muitas vezes eu ganhei com tempos de que eu não gostei, assim como fiquei em segundo com tempos com os quais fiquei muito satisfeito. O mais importante sempre foi – e sempre vai ser, no meu modo de ver – tirar a melhor performance no momento, conseguir controlar a ansiedade. Algum lugar que deseja conhecer em Londres? Na verdade, é uma das dificuldade mentais que tenho. Não consigo pensar em nada após o dia 4 de agosto. Só sei que até o dia 4 eu tenho de nadar. Como foi reaprender a nadar sem os trajes? A gente vem nadando sem os trajes desde 2010… Então, na verdade, já não tem nada de novo para nós agora. Para ser sincero, a sensibilidade na piscina continua a mesma. A gente continua treinando de sunga como sempre treinou, uma sunga de arrasto para fazer peso nos treinos. Na hora da competição, normalmente, a gente está se sentindo muito rápido, muito bem. Os 50 m e os 100 m são provas muito rápidas, nem dá para ter uma sensibilidade se está ou não mais rápido do que antes. No momento em que se está nadando, a concentração é na técnica, na eficiência. Continua a mesma coisa, só ficou mais fácil no pré e pós-prova, para colocar e tirar o maiô. Eu gosto do impossível, porque lá a concorrência é menor – frase do twitter. Relação com o momento e sobre os parâmetros que tem Meu parâmetro é o meu melhor. Eu sei que se eu melhorar em algum aspecto da prova, em eficiência, em algum detalhe mais trabalhado, mais forte… eu posso tirar alguns centésimos. Meus parâmetros são os 47s84 do Pan e os 21s38 do Maria Lenk. A gente faz a análise das provas e vê o que pode melhorar depois das competições e nos treinamentos. Eu sinto que temos suprido isso a ponto de ficarmos confiantes, de melhorarmos os pontos de que não gostamos muito. Quanto vai sair não sei, é um chute mental aí. Se vai ser um centésimo ou meio segundo eu não sei dizer, mas a gente espera que seja o máximo que a gente consiga tirar na prova… Parâmetro é o que tenho na vida. Sobre as frases… Recebo coisas por e-mail, leio várias coisas e, quando gosto de alguma frase, gosto de ficar pensando, soou bem, eu li… mas não tem nada de particular em cada frase, não. Mudanças na natação brasileira após a medalha olímpica em 2008 Como nadador, acho que foi um impulso para os atletas que já nadavam bem e só precisavam de uma luz para acreditar. O França é da minha idade, vem comigo desde o Chico Piscina, não foi a minha medalha que fez ele virar campeão mundial… Precisou de um pouquinho mais de tempo, mas foi campeão mundial em 2009. Ele já era campeão.Temos uma equipe jovem, entre 20 e 25 anos. Nesse aspecto, existe um pouco mais de respeito nas competições de parte de outros países para com o Brasil. É bom saber que o Brasil é um país que vai dar trabalho, que vem brigando na competição e não vai ter só mais um atleta na prova. E também na parte profissional. Os atletas trabalham para nadar. Está bem claro isso. A gente não vai para a piscina só quando está calor. Passa cinco, seis horas na piscina, tem de comer direito, descansar direito, dormir com hora regrada. Está mais respeitada a nossa rotina, a nossa dedicação. Acho que nesses aspectos demos um bom salto de 2008 para cá. Descanso e cabelo em Londres Não sei o que fazer com o cabelo, vai depender da touca. Não estou planejando nada. Se for muito apertada, vou cortar o cabelo, se não… vai ficar assim mesmo. E sobre o descanso, sei lá… É paranoia mesmo. O tempo todo é descansar. Tentar andar o mínimo possível, não subir escada, não carregar peso, para chegar na competição com energia de sobra. Agora é o momento de hibernar aqui e acordar lá na competição. Sobre o PRO 16 Não tivemos muitas dificuldades, uma ou outra coisa tivemos de ajeitar, mas acho que saiu até melhor do que eu imaginei. Acho que o fator principal foi o Albertinho ter aceitado a minha proposta quando eu voltei dos Estados Unidos. Nem pensamos se era o meio do ciclo olímpico. Apenas nos juntamos para tentar conquistar esse bicampeonato olímpico a qualquer custo. Acho que o que mais fez esse aí virar foi a própria aceitação dos atletas, do staff…. Veio o Thiago Pereira, depois o Nilo (Nicolas Oliveira). Aí veio o Pan e a gente conseguiu um resultado muito legal. Do Mundial de Xangai a gente também saiu com as medalhas… Foi tudo se encaixando com o tempo. Foi tudo se acertando e aparando arestas no decorrer do processo. Na minha cabeça foi tudo muito natural. Não pensei em como seria sair dos Estados Unidos e vir para o Brasil, o Albertinho já estava no Pinheiros há um bom tempo. Não pensei muito nos efeitos colaterais. Eu tive uma visão e apostei nela, nas coisas que eu precisava para tentar conquistar o bi olímpico. Cesar Cielo é atleta do Flamengo e tem patrocínio de Avanço, Embratel, Correios, Audi, Gatorade e Arena. (Colaborou: Alessandro Serrato)

Cesar Cielo já treina em Londres, no Crystal Palace

O quartel-general do Brasil recebe o campeão olímpico antes do desafio nos Jogos; “O que falta? Nada!”, diz o técnico Albertinho, que só pede “foco na competição” São Paulo – O velocista Cesar Cielo já está em Londres, na Inglaterra, e fará os próximos treinos, até a estreia nos Jogos Olímpicos, no Crystal Palace, local escolhido pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para a preparação final da seleção antes do início das competições. Os integrantes da natação ficam no Crystal Palace até o dia 24, quando entram na Vila Olímpica. As disputas da natação serão realizadas de 27 de julho a 4 de agosto. E Albertinho tem a receita para os últimos momentos em Londres, antes da estreia: foco na competição. Cesar Cielo vai defender o bicampeonato olímpico nos 50 m livre – foi campeão em Pequim/2008. E ainda brigar por medalha nos 100 m livre – tem a de bronze conquistada nos Jogos da China. Também poderá ser escalado para os revezamentos 4×100 m livre e medley. O técnico Alberto Silva, que comanda o Projeto Rumo ao Ouro em 2016 (PRO 16), grupo de treinamento de elite de Cesar Cielo, nadador do Flamengo, diz que o trabalho já foi feito e agora é tempo de ajustes finos e de ‘sensibilidade’, de perceber o que os atletas ‘sentem’. “Agora é só descansar. Chegou o momento do ‘balance’. Coloquei no papel os treinos que costumo fazer, mas vamos conversando e vendo como eles se sentem no dia a dia e, se necessário, faremos adaptações. Com eles, no dia a dia, a gente vai sentindo. O que falta agora? Nada!”, observa Albertinho. O técnico, que vem trabalhando há um ano e meio com o PRO 16, grupo idealizado por Cielo na volta ao Brasil, depois de algumas temporadas treinando em Auburn, nos Estados Unidos, está tranquilo com a preparação feita para a Olimpíada, embora na expectativa sobre se tudo o que foi trabalhado se transformará nos resultados esperados na competição. “Eles estão bem experientes, quase todos já passaram por Olimpíada, sentiram o gostinho do deslumbramento e agora estão mais tranquilos. O principal, independentemente de idade de cada um dos nadadores, é o foco. E todos os que atuaram no meu grupo têm muito claros seus objetivos”, acentua Albertinho, que quer todo mundo focado na competição. Além de Cesar Cielo, o grupo tem Henrique Barbosa, Leonardo de Deus, Nicholas dos Santos, Nicolas Oliveira, Tales Cerdeira e Thiago Pereira. “Em 2004, batemos o pé porque os nadadores queriam ver as provas e o pessoal do COB concordou que eles permanecessem na cidade depois de terminada a parte de cada um na competição. O pessoal mais imaturo chegava de compras, de passeios, contando coisas… Mudava o foco de quem ainda não tinha nadado”, diz Albertinho. “Mudamos isso em 2008, sem sentimentalismo, é o melhor. E o esquema será o mesmo. Nadou, volta para casa! Não fica ninguém ali que não esteja focado na competição.” O procedimento é adotado para toda a natação. Albertinho lembra que Cesar Cielo e seu grupo definiram padrões, seguidos rigorosamente por toda a temporada. “Durante todo o ano esse pessoal mostrou que o objetivo estava acima de namoradas, baladas ou qualquer outro interesse. Fizeram uma alimentação correta, treinaram, descansaram, se comprometeram 100% com o programa que fizemos. Não vai ser agora que vão fazer as coisas diferentes”, acentua o técnico da seleção brasileira. Cesar Cielo é atleta do Flamengo e tem patrocínio de Avanço, Embratel, Correios, Audi, Gatorade e Arena.