De volta ao Brasil, Cesar Cielo valoriza medalhas no Pan-Pacífico

De cabeça fria, campeão olímpico e mundial sabe que seu resultado foi bom e promete treinar ainda mais forte para o Mundial, em 2011, e a Olimpíada de Londres, em 2012
São Paulo – De volta ao Brasil depois da conquista de três medalhas no Pan-Pacífico de Irvine, na semana passada, o campeão olímpico e mundial Cesar Cielo vai descansar duas semanas antes de intensificar novamente os treinos para a disputa da primeira etapa da Copa do Mundo de Natação em Piscina Curta, de 10 a 12, e do Troféu José Finkel, de 20 a 26 de setembro, ambos no Complexo Maria Lenk, no Rio de Janeiro. Com a cabeça mais fria, Cielo disse que foi bom ter sido o protagonista da melhor campanha da história da natação do Brasil num Pan-Pacífico, mesmo tendo se cobrado muito – queria ouro nos 50 e nos 100 m livre. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, no Restaurante Original da Granja, na zona sul de São Paulo, Cielo falou da atuação no Pan-Pacífico. O nadador conquistou três medalhas: ouro nos 50 m borboleta, bronze nos 100 m livre e prata nos 50 m livre. Primeiro Cielo falou da surpresa pelo ouro nos 50 m borboleta. “A que eu menos esperava foi a que me trouxe mais felicidade.” Depois falou da prata nos 50 m livre, prova em que é recordista mundial e esperava conquistar o ouro. “Nadei mal, mas hoje vejo que não foi uma catástrofe. Nos 50 m não existe zebra, só favorito. Quem bate a mão na parede primeiro ganha a prova. Dessa vez, fui o cara que bateu depois”, disse. “Não foi culpa de ninguém em particular. Todo mundo tem culpa. Eu, o Brett (Brett Hawke, seu técnico em Auburn)… Natação é um time. Depois, analisamos o que aconteceu e chegamos à conclusão de que o planejamento poderia ter sido melhor”, afirmou Cielo. “Nós pensamos que daria tempo de eu entrar em forma para a competição, que é bem forte. Mas o tempo passou e a forma ideal não veio.” Despertador importante Cielo observou que passou pelo primeiro baque desde que treina com Brett Hawke. “Foi um aprendizado para os dois e o erro veio na hora certa. Foi um despertador importante. Dá tempo de ver o que não funcionou e corrigir para os dois próximos anos, com Mundial (em Xangai, em 2011) e Olimpíada (Londres, em 2012)”, lembrou o nadador. Cesar Cielo disse que o Pan-Pacífico foi um aprendizado e que é importante saber perder. “Nos últimos tempos, estou mais no centro das atenções, mas já perdi muitas vezes e sempre dei a volta por cima. Melhorei muito nesse aspecto de uns tempos para cá.” Cielo também falou do discurso emocionado depois da prata nos 50 m livre quando fez um duro julgamento de sua performance. “Nunca vou aceitar a derrota. É difícil controlar na hora, ter de falar. Queria sair da piscina e fazer sei lá o quê. Aqueles cinco minutos depois da prova são muito particulares. Perder é difícil. Estou me dedicando a lidar melhor com isso.” Cielo lembrou que a temporada foi bastante conturbada. “O Brett acabou assumindo toda a equipe de natação de Auburn, o tempo, para ele, ficou curto. Senti uma dor muito forte na lombar, no Maria Lenk, em maio, aqui no Brasil, que demorou a passar… Agora, temos de analisar em que momento estamos, o que queremos, quais as nossas metas. Quem continuar nadando pesado vai chegar a Londres com o corpo e a cabeça cansados.” Para Cielo, o que faltou no Pan-Pacífico foi treino de piscina, mais rodagem na água. “O jeito que eu nadei os 50 m borboleta deixou claro que eu podia ganhar qualquer prova. Na prova seguinte, os 100 m livre, estava uma braçada na frente, podia vencer. Percebi que estava perdendo o gás quando o cara da raia 7, que eu nem sabia quem era, começou a chegar. Aí, a borda não chegava, o braço começou a pesar, me sentia carregando um piano nas costas. A gente perde a coordenação”, contou o nadador. Mas no caso dos 100 m, disse Cielo, não dá para reclamar. “Essa final caiu no meu colo. Fiquei em 11º nas eliminatórias, mas, por causa da cota país, acabei nadando a final.” Cesar Cielo disse que pode errar, mas se cobra muito. “Nunca pensei que sou perfeito”, disse Cielo. “Mas me cobro o tempo todo. Ficava bravo de perder nos treinos do Gustavo Borges, que já era medalhista olímpico. E eu tinha 16 anos. O que aconteceu no Pan-Pacífico é que eu achei que estava fazendo o suficiente nos treinos. Não sou desses velocistas que quase não treinam e arrebentam na prova. Eu preciso treinar muito.” Cesar Cielo é atleta do Flamengo e tem patrocínio de Avanço, Embratel e Arena.

Cesar Cielo leva a prata nos 50 m livre no Pan-Pacífico

O campeão olímpico e mundial da distância ficou a 0,02 centésimos de segundos da medalha de ouro na competição de Irvine
São Paulo – Cesar Cielo ficou com a medalha de prata nos 50 m livre no Pan-Pacífico de Irvine, Califórnia (EUA), com o tempo de 21s57. Cielo terminou a 0,02 centésimos de segundo do primeiro colocado, o norte-americano Nathan Adrian e não escondeu a decepção. O canadense Brent Hayden ficou com a medalha de bronze (21s89) e o também brasileiro Bruno Fratus chegou em quarto lugar (21s93). A marca de Adrian é o novo recorde do campeonato. Nicholas dos Santos, que ganhou medalha de prata nos 50 m borboleta, ficou em quinto na final B dos 50 m livre (22s55). Nas eliminatórias, Cesar Cielo havia batido o recorde do campeonato ao se classificar em primeiro lugar com o tempo de 21s64 – a marca anterior, de 21s84, pertencia a Cullen Jones, feita no Pan-Pacífico de Vitória/2006. Na final, neste sábado (21/8), Cielo largou bem e liderou a prova quase até o fim – perdeu na batida de mão. “50 é isso aí. Dois centésimos de segundo separando a medalha de ouro da de prata… Eu não estava esperando esse resultado e tenho de ver o que fazer para melhorar. Não sei ainda o que aconteceu na prova. Vou ver o vídeo com calma, mas esporte é isso aí.” Cielo quer corrigir os problemas que sentiu no final das provas do estilo livre para as próximas temporadas, anos de Mundial (2011) e Olimpíada (2012). “Temos de parar para ver o que fizemos de errado e melhorar para o ano que vem. O segundo lugar é uma derrota para mim. É uma prova em que eu não estava esperando esse lugar. Está faltando um pouco de treino, o final de prova está pesando bastante. Estou forte, rápido, mas está durando pouco. Temos de ver o que é preciso fazer a mais para melhorar.” Cesar Cielo deixa o Pan-Pacífico de Irvine com três medalhas – ouro nos 50 m borboleta, com 23s03, melhor marca do mundo no ano do ranking da Fina; bronze nos 100 m livre (48s48) e prata nos 50 m livre (21s57). Cielo volta à Auburn, Alabama (EUA), para cuidar de algumas questões pessoais antes de retornar ao Brasil, na próxima semana. Em setembro, disputará a primeira etapa da Copa do Mundo de Piscina Curta, competição da Fina, de 10 a 12, e o Troféu José Finkel, de 20 a  26, também em piscina de 25 metros. As duas competições estão programadas para o Rio de Janeiro. Henrique Barbosa, companheiro de Cielo e Nicholas dos Santos no Flamengo, ficou em oitavo na decisão dos 200 m peito, com 2min14s42. A prova foi vencida pelo japonês Kosuke Kitajima, com 2min08s36. Na prova que fechou o quarto dia de competições, o revezamento 4×100 m medley, o Brasil ficou em quarto lugar com Guilherme Guido (costas), Tales Cerdeira (peito), Gabriel Mangabeira (borboleta) e Cesar Cielo (livre), em 3min36s86. Os Estados Unidos levaram o ouro (3min32s48), o Japão a prata (3min33s90) e a Austrália o bronze (3min35s55). Cesar Cielo é atleta do Flamengo e tem patrocínio de Avanço, Embratel e Arena.

Cesar Cielo ganha medalha de bronze nos 100 m livre

O campeão mundial da distância largou na frente, virou na frente nos 50 metros e lutou pelo ouro, que deixou escapar no final da prova
São Paulo – Cesar Cielo ficou com a medalha de bronze nos 100 m livre na piscina do William Woolettt Jr, nesta quinta-feira (19/8), no Pan-Pacífico de Irvine, na Califórnia (EUA). Cielo teve o melhor tempo de reação 0,67, virou na frente nos primeiros 50 metros (22s74) e liderou a disputa até os metros finais, quando foi ultrapassado, não sem lutar muito até o fim. Deixou a piscina exausto. Ainda obteve sua melhor marca pessoal do ano nos 100 m livre, com 48s48. A prova foi vencida pelo norte-americano Nathan Adrian, com 48s15 (recorde do campeonato), com o canadense Brent Hayden em segundo (48s19). “Eu estava na mão de Deus”, disse Cielo sobre a prova ao sair da piscina. “Foi muito difícil. Queria sair daqui com três medalhas em provas individuais. Ganhei mais uma. E vou ganhar os 50 metros. Mesmo não sendo ouro, a medalha nos 100 metros foi importante”, afirmou, sem esconder a decepção pessoal. Cielo mostrou ser muito rápido, mas disse que tem de saber porque “está morrendo” na chegada. “O fim da prova pesou. Acabei perdendo a medalha de ouro. Está faltando um pouco, talvez tenha sido algum erro no trabalho de base, na parte aeróbica.” Cielo observou que estava muito cansado, com dor na perna até os ossos. Depois da premiação, um pouco mais recuperado do cansaço, o campeão olímpico e mundial deu uma lição da humildade. “Eu nem merecia estar na final (pela manhã, nadou mal e teve de ir à decisão na raia 8). Me deram essa segunda chance. Mas o terceiro lugar não era o que eu queria. Queria ganhar a prova mesmo. Mas tem Mundial, Olimpíada e isso não vai acontecer de novo. Não quero deixar o Brasil em terceiro. Tudo é aprendizado. E tenho de aprender com os erros. Posso errar um milhão de vezes, mas nunca cometer de novo o mesmo erro.” Esta foi a terceira medalha do Brasil no Pan-Pacífico, a segunda de Cesar Cielo, que surpreendeu na quarta-feira ao ficar com o ouro nos 50 m borboleta, em dobradinha com Nicholas dos Santos, prata. Nesta sexta-feira (20/8), Cielo integrará a equipe brasileira no revezamento 4×100 m livre e no sábado (21/8) nadará as eliminatórias dos 50 m livre, a partir das 14 horas (horário de Brasília), e o revezamento 4×100 m medley. Cesar Cielo é atleta do Flamengo e tem patrocínio de Avanço, Embratel e Arena.