10/9/2009
Agradecendo e valorizando a vida
Dica 3
Vou começar este texto expondo minha idéia sobre o tema logo de cara: o ser humano é um ser mal-agradecido. Nós nos preocupamos com problemas pequenos e mesquinhos.
O mundo em que vivemos sente falta de agradecimento, muitas vezes ganhamos, temos sucesso em algo e não agradecemos. Dessa forma mudamos o curso natural e perfeito das coisas. Ao invés de termos harmonia e felicidade temos a desarmonia e infelicidade.
A visita ao Hospital Boldrini mexeu comigo e com o meu jeito de pensar. Para quem já visitou um lugar como esse sabe muito bem do que eu estou falando. Sai do hospital pensando em muitas coisas, principalmente em como a vida é difícil e ingrata com aquelas famílias.
Crianças e bebês batalhando pela vida contra a pior doença que existe no mundo e, o mais impressionante, muitos deles com um ótimo humor e felizes.
Lógico que é importante ressaltar o trabalho feito pela Dra. Silvia e sua equipe, que é realmente fantástico. Mesmo assim, nos deixa pensando o quanto nós reclamamos sem saber das grandes dificuldades que existem na vida.
Me dá até vergonha pensar nas coisas que reclamava antes e nas preocupações que eu tinha, mas após a visita ao Boldrini e refletir bastante, acho que cresci e sou uma pessoa melhor. Agradeço a Deus pela minha família, amigos e saúde e dedico este momento a todos os pacientes do hospital.
Desejo de coração que todos mantenham a fé e que tenham muita força, eu estarei orando por todos.
Dica 3: Pare e pense na sua vida. Agradeça e dê valor a tudo o que você tem.
Cesar Cielo
25/6/2009
Thinking outside of the box
Dica 2
O título da segunda dica é um termo em inglês que os americanos usam para ideias que fogem do comum ou de uma certa sequência. Richard Quick, head coach aqui da Universidade de Auburn, que morreu há duas semanas, sempre estimulou seus assistentes-técnicos e atletas a pensarem em coisas inovadoras, que poderiam fazer a diferença para um treino melhor ou um tempo mais rápido. Sempre buscando a evolução.
A história que ilustrará esse tema foi contada, no ano passado, por Richard, há um mês do início dos Jogos Olímpicos e, como estamos há um mês do Mundial de Roma, resolvi passar essa história para todos.
Um certo dia, nos anos 80, Quick era o head coach aqui de Auburn (depois ele retornaria em 2007) e dava treino ao grupo de nadadores quando resolveu, no fim da sessão, fazer algumas técnicas de saída.
Nessa época, tínhamos na equipe Rowdy Gaines, ganhador de 3 medalhas de ouro olímpicas, recordista e campeão mundial e da liga universitária (seu tempo nas 200 jardas livre ainda continua sendo o recorde da Universidade de Auburn, com 1´33"80 feito em 1983 e, detalhe, de sunga e sem touca). O grupo tinha mais alguns bons atletas que não tiveram tanto sucesso como Rowdy – hoje ele é repórter de TV e faz coberturas da natação em vários torneios (inclusive trabalhou nas Olimpíadas de Pequim).
Todos terminaram o treino e um dos nadadores continuou treinando o mergulho sozinho. Uma saída após a outra. Os dias se passaram e Richard resolveu , de novo, treinar técnicas de saída no fim da sessão. Todos fizeram algumas saídas e, de novo, aquele nadador ficou sozinho treinando por mais uns 15 minutos.
Chegaram finalmente no dia da competição, um dual meeting não muito importante, e como já era esperado a Universidade de Auburn venceu. Mas o que havia deixado Richard curioso era que aquele nadador que havia ficado treinando saídas abriu todas as suas provas com uma boa vantagem em relação aos outros e, segundo Richard, sua saída não incluía nenhum movimento ou algo inovador, fora do padrão.
O técnico então resolveu ficar um dia vendo seu pupilo treinar. Após alguns minutos e saídas Richard observou que esse atleta fechava os olhos todas as vezes que estava em posição de largada. Resolveu então perguntar qual era a razão disso:
- É porque quando fecho os olhos eu sinto que minha audição fica mais sensível e eu reajo mais rápido - foi a resposta.
Segundo Richard, quando todos o assistiam nas competições, ninguém entendia como ele reagia tão rápido no bloco. Enquanto todos se concentravam tanto na posição de saída, na força que aplicariam no bloco ou no movimento que fariam no ar esse nadador pensou em algo totalmente fora do comum e conseguiu elevar sua saída para um nível mais alto.
Cesar Cielo
1/6/2009
Um dia de cada vez
Dica 1
Por muito tempo, ao longo da minha carreira, foquei no meu grande objetivo durante as temporadas. Sempre treinava pensando no que eu queria no fim da temporada. Fazia séries pensando no tempo e no resultado que poderia obter. Algumas vezes, funcionou e, algumas vezes, não cheguei onde esperava.
Um bom exemplo para mim são os Jogos Pan-Americanos. Estava muito focado nos 100 m livre. Acreditava ser capaz de nadar abaixo dos 48 segundos. Passei toda a temporada pensando e treinando em busca desse objetivo.
Chegaram os Jogos no Rio de Janeiro e meu tempo foi, a meu ver, bem aquém do que estava esperando, um 48’7. Não posso reclamar, pois acabei como campeão e novo recordista da prova. Mas terminada a temporada ficou um gosto de insatisfação.
Nos 50 metros havia conseguido o que eu queria, que era nadar abaixo do tempo do campeão mundial daquele ano. Wildman-Trobriner, dos Estados Unidos, venceu o Mundial de Melbourne, em 2007, com 21’88. Eu havia chegado em sexto naquela final, com 22’12.
Após a prova eu sabia que poderia vencê-lo, pois já havia batido o americano várias vezes no NCAA. Meus 21’84, feitos no Pan, eram o que eu buscava. Queria provar para mim mesmo que eu era melhor do que aqueles 21`88.
Mas fazendo um balanço geral da temporada não saÍ do Pan satisfeito com as minhas performances. Dias depois, pensando com calma sobre o que poderia ser feito para melhorar na próxima temporada, percebi que havia gasto muito tempo e muita energia focado naquele número 47 dos 100 m e no resultado final.
Decidi então mudar o jeito de pensar e agir durante a temporada. Comecei a contar semanas e algumas vezes os dias que faltavam para a competição principal da temporada. Cada dia e cada semana era um desafio para melhorar. O meu objetivo era o momento, a série principal do treino, levando um dia de cada vez. Sempre me perguntando:
- Você melhorou hoje?
- Você fez tudo o que poderia no treino?
Assim fiz nas temporadas do NCAA e dos Jogos Olímpicos, em 2008. O resultado: muito melhor do que eu, provavelmente, projetaria.
Dica número 1: “Realize um pequeno sonho a cada dia. Fazendo isso sempre, você estará cada vez mais próximo do seu sonho maior."
Cesar Cielo